Trabalho: confira nove dicas para poder garantir o primeiro empregoNa escola ou na faculdade, o compromisso é passar de ano. Não importa se o aluno é antissocial ou relapso. Se atingir a média, a aprovação é garantida. Mas essa fase passa. A vida de estudante fica para trás e começaa corrida pelo primeiro emprego. O problema é que, para garanti-lo, não vai depender apenas do bê-á-bá aprendido em sala de aula. Especialistas em recursos humanos alertam que, além de um bom currículo, a forma como o candidato se expressa, se apresenta, se relaciona e a rede social dele pesam muito.
Enquanto na vida escolar ou acadêmica o desempenho do estudante independe dos colegas, no mundo do trabalho, além de o candidato mostrar que é bom, ele deve convencer que é melhor do que o concorrente que disputa a vaga com ele. Isso tem que ser demonstrado do currículo à entrevista, passando ainda pelas dinâmicas de grupos e outras pegadinhas da área de recursos humanos.
CURRÍCULO
Segundo a assistente de recursos humanos do Serviço Municipal de Intermediação de Mão de Obra (Simm), Márcia Brandão, não basta ser qualificado. Um bom currículo exige clareza e objetividade. “O currículo é uma espécie de vitrine do candidato. É quem vai representá-lo no primeiro momento”, diz.
Se o currículo for bom o suficiente para convencer o recrutador a convocar o candidato para uma entrevista, novos cuidados devem ser tomados. É o momento do tudo ou nada. Excessos na roupa ou uma pronúncia errada são detalhes pequenos, mas suficientes para colocar um emprego a perder.
A gerente de interação universidade- empresa, do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Edneide Lima, adverte que quem pleiteia uma vaga tem que saber demonstrar o seu potencial de forma clara, objetiva e com segurança.
MARKETING
“Às vezes o candidato é muito bom, tem conhecimento, mas não sabe se colocar, fazer o marketing pessoal. Ou então ele é arrogante e acaba passando a imagem de que fala mais do que realmente é”, explica Edneide, alertando ainda para o risco de o aspirante não demonstrar o real potencial, omitindo informações importantes.
Antes de partir para a etapa da entrevista, é fundamental pesquisar mais sobre a seleção, o ramo da empresa, o produto dela, a área de atuação. Além de facilitar o desempenho, a atitude demonstra interesse, e isso conta. A forma como o candidato se comporta durante o processo seletivo é importante, mas o caminho que ele fez na vida escolar ou acadêmica também costuma ser fundamental na conquista de um espaço no mercado.
Isso vai desde a rede social queele construiu, à participação em cursos, seminários e estágio.“O estágio não é o primeiro emprego, mas dá o norte para o estudante buscar experiência na área em que ele quer atuar. Se está agregando novos conhecimentos, quanto mais fica na empresa, mais sairá ganhando, pois há possibilidade dele ser contratado pela mesma”, explica a gerente do IEL.
Edineide Lima chama a atenção ainda para o fato de que, se houver dois candidatos com o mesmo desempenho na seleção, há 100% de chances de ser contemplado aquele que estagiou. No caso do administrador Luiz Sampaio, 27 anos, o primeiro emprego foi conquistado através de um programa de trainee.
“Vários fatores pesaram para eu ser escolhido. Meu currículo foi importante, os conhecimentos em inglês, a entrevista e a prova escrita. Me preparei para todas as etapas”, conta Sampaio, que é auditor da empresa de consultoria Ernst & Young.
RELACIONAMENTO
No mercado competitivo, além de competência, uma fator que faz a diferença é o relacionamento interpessoal do candidato. Segundo a assistente de RH do Simm, MárciaBrandão, esse é um aspecto que as empresas levam muito em conta. “Todas as áreas de trabalho exigem bom relacionamento. Competência técnica pode ser treinada, mas a questão de comportamento é da pessoa e se ela não quer desenvolver, dificilmente o fará”, avalia.
Professor e colegas podem ajudar
O comportamento e os interesses que os alunos manifestam em sala de aula têm um peso na vida profissional maior do que eles imaginam. Enquanto muitos encaram o momento como uma fase da vida que restará apenas o aprendizado e as amizades, especialistas em RH informam que a rede social construída nos espaços de aprendizagem costuma trazer resultados bem proveitosos para a vida profissional.
“Se a pessoa foi um líder nato na escola, no futuro, o colega que estiver bem colocado em uma empresa, diante de uma oportunidade, vai lembrar de indicá- lo. Toda a rede de relacionamentos que a pessoa constrói contará na hora de buscar um emprego”, avalia a gerente do IEL, Edneide Lima. Já a presidente da seção baiana da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-BA), Ana Cláudia Athayde, destaca que, desde a faculdade, o estudante deve ter uma postura de profissional.
Isso porque a lembrança do que ele foi em sala de aula é que ficará marcada para professores e colegas. “Alguns jovens consideram que o fato de serem estudantes os libera de algumas responsabilidades. Só que não é isso que acontece. Nessa fase, eles já são observados por professores, coordenadores e pelos próprios colegas”, ressalta a presidente da ABRH-BA.
Ela acrescenta ainda que é preciso os estudantes estaremantenados com os cursos que podem fazer e os seminários de que podem participar. Segundo ela, esse tipo de atividade ajuda na criação de uma rede de relacionamentos, ou melhor, do famoso networking, e também para ser visto pelas pessoas como profissional.
Lei prevê contratode aprendizes
Uma lei federal estabelece que todas as empresas de médio e grande portes estão obrigadas a contratar adolescentes e jovens entre 14 e 24 anos. Trata- se de um contrato especial de trabalho por tempo determinado de, no máximo, dois anos. Os jovens beneficiários são contratados por empresas como aprendizes, ao mesmo tempo em que são matriculados em cursos de aprendizagem, em instituições qualificadoras reconhecidas, responsáveis pela certificação.
A carga horária estabelecida no contrato deverá somar o tempo necessário à vivência das práticas do trabalho na empresa e ao aprendizado de conteúdos teóricos ministrados na instituição de aprendizagem. Segundo a legislação vigente, a cota de aprendizes está fixa da entre 5%, no mínimo, e 15%, no máximo, por estabelecimento, calculada sobre o total de empregados.